20a Bienal

Cartaz. Rodolfo Vanni, 1989

A ideia do cartaz como cânone do design gráfico necessita de outras camadas de reflexão quando aterrisamos no Brasil. Diferente da cultura européia do “good design” presente no espaço público, nessas terras estamos reféns de leis de regulamentação de propaganda, relegando ao mobiliàrio urbano a única manifestação do cartaz no cotidiano. Há claro heranças saudosas e mais apetitosas: o cartaz de lambe-lambe que anuncia show popular, o homem placa do compre ouro, o anúncio da amarração no poste. Das duas manifestações de “alto clero” mais relevantes pro design estão o cartaz do MCB (que quiçá trataremos num post futuro), e o cartaz da Bienal de artes visuais. Em 33 edições e 67 anos (um evento par que resulta num número ímpar de anos, coisas de Brasil) talvez nenhum seja tão celebrado e polemizado quanto o de 1989. Ano pós constituição e abertura política, ano de eleições tão simbólicas para o país que até hoje são referencial, a imagem da banana verde re-ajambrada com grampos, sobre fundo amarelo berrante e tipografia condensada vermelha “dane-se a legibilidade” é um dos mais célebres da história do evento. “Este cartaz é o que com maior nitidez atesta a superação do projeto moderno” diz o texto no panorama histórico do site da Bienal. De autoria do pintor e diretor de fotografia argentino Rodolfo Vanni, radicado no Brasil desde 1970, o cartaz busca referenciar com iconoclastia um momento de abertura ao público, uma retomada artística após os anos de ditadura militar. O Brasil todo à espera do que virá após os anos de obscuridade — porém de muita produção artística de qualidade. Nem construção nem ruína, a banana suturada pelo “hermano” fala do Brasil com a obviedade das coisas que temos vergonha de admitir, mas precisamos superar.

The idea of ​​the poster as a canon of graphic design needs other layers of reflection when we land in Brazil. Unlike the European culture of “good design” present in the public space, in these lands we are hostage to laws governing advertising, relegating to urban furniture the only manifestation of the poster in everyday life. There are, of course, nostalgic and more appetizing heritages: the lick-lick poster announcing a popular show, the man buying the gold plate, the announcement of the mooring on the pole. Of the two manifestations of “high clergy” most relevant to design are the MCB poster (which we will discuss in a future post), and the poster of the Visual Arts Biennial. In 33 editions and 67 years (an even event that results in an odd number of years, things from Brazil) perhaps none is as celebrated and controversial as that of 1989. Year after constitution and political opening, year of elections so symbolic for the country that to this day they are a reference, the image of the green banana re-assembled with clips, on a bright yellow background and red condensed typography “screw the legibility” is one of the most celebrated in the event’s history. “This poster is the one that most clearly attests to the overcoming of the modern project” says the text in the historical panorama of the Bienal website. Designed by Argentine painter and cinematographer Rodolfo Vanni, who has lived in Brazil since 1970, the poster seeks to refer to an iconoclastic moment in a moment of openness to the public, an artistic resumption after the years of military dictatorship. All of Brazil is waiting for what will come after the years of obscurity – but with a lot of quality artistic production. Neither construction nor ruin, the banana sutured by the “hermano” speaks of Brazil with the obviousness of the things that we are ashamed to admit, but we need to overcome

da série design em contexto
publicado originalmente em 22.3.2018

from the series design in context (portuguese only)
originally published in 3.22.2018