Rede Globo 1975, 2014

Gráficos de Televisão. 1975, 2014

Em tempos onde a hegemonia das mídias tradicionais – jornal impresso, televisão aberta – perde cada vez mais terreno para os meios digitais, a transição da linguagem visual do maior canal de televisão do Brasil possui muitos significados. Pode-se falar sobre a popularização da estética do design “flat”, priorizando formas bidimensionais e cores simples; ou então da modernização da grade do canal, respondendo à integração com o smartphone e as redes sociais, e o cruzamento do entretenimento com o estilo de vida (realities, debates, “resolve sua vida”). Mas o maior deles talvez é a descentralização de sua concepção. Desde 1975 o Departamento de Videográficos da Rede Globo atuava sob a direção criativa de seu funcionário número 1, o austríaco-brasileiro Hans Donner (Wuppertal, 1948). Pode-se afirmar que durante seus anos de atuação Donner é talvez o designer gráfico mais influente do Brasil: sua linguagem visual nas assinaturas e vinhetas de novela, que nos anos 70 e 80 almejavam a grandiosidade de uma CBS em seus tempos áureos, e a partir dos anos 90 se tornaram cada vez mais sinônimo de um mundo “digital” e “computadorizado”, resvalaram em todo o imaginário visual do Brasil mainstream, e até do cult – quem não se lembra com saudosismo da abertura do Fantástico em meados dos anos 80, com as modelos new wave new age emergindo dos elementos naturais? O apogeu da linguagem de Donner se deu na virada dos anos 2000, culminando em ações materializadas para fora da televisão, como o Relógio do Descobrimento, instalado em 18 cidades brasileiras e vendido em versão de pulso. Em meados de 2014, no entanto, a direção criativa do Departamento passou por uma reformulação: a marca com ares tridimensionais se tornou menos presente, priorizando as versões figura-fundo bicolor; e as aberturas de programas e novelas, antes sempre centralizadas pelo Departamento, passaram a ser comissionadas para diferentes estúdios de videografia – que hoje parece exercer muito mais o papel de direção de arte do canal e dos produtos institucionais. Por sua história e contribuição, Donner permanece na equipe como Diretor de Design.

GLOBO TV NETWORK
Television Graphics. 1975, 2014

In times when the hegemony of traditional media – printed newspaper, open television – is losing more and more ground to digital media, the transition from the visual language of the largest television channel in Brazil has many meanings. One can talk about the popularization of aesthetics of “flat” design, prioritizing two-dimensional shapes and simple colors; or the modernization of the channel grid, responding to the integration with the smartphone and social networks, and the intersection of entertainment and lifestyle (realities, debates, “solves your life”). But the biggest one, perhaps, is the decentralization of its conception. Since 1975, Rede Globo’s Videographic Department operated under the creative direction of its number 1 employee, the Austrian-Brazilian Hans Donner (Wuppertal, 1948). It can be said that during his years of activity Donner is perhaps the most influential graphic designer in Brazil: his visual language in the signatures and vignettes of a soap opera, which in the 1970s and 1980s longed for the grandeur of a CBS in its heyday, and the Since the 90s, they have become increasingly synonymous with a “digital” and “computerized” world, they have slipped across the visual imagery of mainstream Brazil, and even the cult – who does not remember the opening of Fantástico in the mid-nostalgic years. 80, with new wave new age models emerging from natural elements? The heyday of Donner’s language took place at the turn of the 2000s, culminating in actions materialized out of television, such as the Relógio do Descobrimento, installed in 18 Brazilian cities and sold in wrist version. In mid-2014, however, the Department’s creative direction underwent a reformulation: the three-dimensional brand became less present, prioritizing the two-color figure-ground versions; and the opening of programs and soap operas, previously centralized by the Department, began to be commissioned for different videography studios – which today seems to exercise much more the role of art direction for the channel and institutional products. For his history and contribution, Donner remains on the team as Design Director.

da série design em contexto
publicado originalmente em 30.5.2018

from the series design in context (portuguese only)
originally published in 5.30.2018